Ataques a ônibus ameaçam quem circula na Via Light

9 08 2012

Adolescentes arremessam pedras, concreto e até tijolos nos veículos. Uma só empresa teve 50 janelas estilhaçadas este ano

Rio –  Rodoviários e passageiros de ônibus que cruzam a Via Light, um dos corredores mais movimentados da Baixada Fluminense, viraram alvo de vandalismo que pode colocar vidas em risco.

Jovens arremessam pedras, pedaços de piso e de concreto e até tijolos nos coletivos. Só uma empresa já teve 50 vidros estilhaçados pelos ataques este ano. O perigo ronda os 13 mil veículos que circulam pela via no trecho entre as cidades de Nova Iguaçu, Mesquita e Nilópolis. A Viação São José já gastou R$ 5 mil com a reposição dos vidros atacados de janeiro até o mês passado.

Segundo relatos de motoristas e cobradores, os objetos são lançados por adolescentes que ficam na parte alta de morros vizinhos à Via Light. Os atos de vandalismo acontecem a qualquer hora do dia, mas são mais frequentes à noite.

 

O último aconteceu dia 30 de julho. De acordo com o inspetor de tráfego da Viação São José, que faz a linha Nova Iguaçu-Pavuna, Waldenes Ferreira, só em julho foram 15 ataques ao ônibus da empresa.

“É um caso sério que tem crescido cada vez mais. Temos uma linha com 29 ônibus que passam pela Via Light e nossos carros estão sendo atingidos por pedras, restos de concreto, pisos e o mais assustador e absurdo: tijolos utilizados na construção de churrasqueiras. Os números são alarmantes. Já chegam a 50 casos só este ano”, contou o inspetor Waldenes.

Subnotificação

Pelos menos quatro empresas de ônibus possuem linhas que passam pela Via Light. São elas: Viação São José, Vila Rica, Master e Transmil. Os atos de vandalismo só são comunicados à polícia quando ferem alguém ou provocam acidentes.

Como não tem havido caso grave, não há estatísticas oficiais sobre o problema. O presidente do Sindicato dos Rodoviários de Nova Iguaçu, Joaquim Graciano da Silva, apela para que rodoviários e empresários registrem o vandalismo: “Estamos preocupados. Mas só dá para cobrar das autoridades se houver registros da ocorrência.”

Cobradora que escapou de pedra lembra cena de pavor

A onda de ataques tem levado pânico a funcionários e passageiros. Cobradora da Viação Vila Rica, Marta Rodrigues, 33 anos, conta que há um mês uma pedra atingiu os vidros do ônibus em que ela trabalhava. Por sorte, a pedra não quebrou a janela. Ninguém se feriu.

“O ônibus estava parado quando vi a pedra vindo na minha direção. Graças a Deus não fui atingida”, recorda.

Fora dos ônibus, outro temor atinge os vizinhos da via: os assaltos. Por isso, é fácil flagrar pedestres que ignoram as passarelas e colocam a vida em perigo em travessia perigosa da avenida.

“É arriscado atravessar a via, mas não tenho opção”, argumenta a esteticista Bruna Pereira, 23 anos. Quase sempre vazias, as passarelas são usadas para atravessar cavalos.

 

Nesta terça-feira, por pouco a desempregada Aliciane de Oliveira, 29, não foi atropelada. “É perigoso, mas é melhor do que ser assaltada”, conforma-se. Moradores da região sofrem também com o abandono das passarelas e margens da via. Há travessias suspensas sem grades na rampa e com muito mato alto em volta. A via também sofre com muito lixo abandonado nas margens.

Reforço de policiamento

Ataques a ônibus na Via Light, em Nova Iguaçu, Mesquita e Nilópolis servem de alerta para o 20º BPM (Mesquita), que prometeu intensificar o policiamento no local.

Segundo o comandante do batalhão, o tenente-coronel Marcos Borges, um carro policial tem patrulhado a via 24 horas. Ele afirmou que, nos horários de pico, mais duas viaturas ficam baseadas no corredor.

“Com essas denúncias de ataques, vamos analisar a situação para reforçar a segurança”, prometeu ele, que desconhecia a ação criminosa contra os coletivos. Segundo ele, houve redução de 15% nos crimes de roubo a pedestres e de veículos nos três municípios. “Temos 660 homens e esperamos aumentar com novos policiais a partir de janeiro”, destacou o coronel.

 

Viva voz:  Diego Valdevino – Repórter “Pensei que fosse tiro. Foi assustador”

“O vandalismo tomou conta da Via Light, com ataques cada vez mais constantes. Na tarde do dia 30, por volta de 16h30, passava por lá em Nilópolis, quando ouvi barulho alto dentro do ônibus. Pensei que fosse tiro e vi pessoas se jogando ao chão. Duas tinham os braços cobertos de estilhaços. Por sorte, ninguém se feriu, mas foi assustador! No chão, pedras e pedaço enorme de piso que foram atirados por jovens no alto do morro. Os vândalos riam da situação. Para eles, era pura diversão. O motorista parou para ver se alguém havia se machucado e contou que os ataques são frequentes. Sem feridos, a viagem seguiu normalmente e o crime não foi registrado”.

 

Reportagem de Diego Valdevino

Fonte: O Dia

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Lixo e entulho largados nas margens expõem o abandono da Via Light | Foto: Uanderson Fernandes / Agência O Dia
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