ÔNIBUS DA PORTUGUESA: Um Caio Squalo com muitas histórias

12 07 2012

Criminosos destroem um patrimônio do futebol e da história dos transportes
Além de acabarem com um símbolo da Portuguesa de Desportos, vândalos fizeram se perder nas chamas um dos veículos mais marcantes da indústria do ônibus no Brasil

Foi com a sensação de insegurança ampliada e revolta que parte da população de todo o País recebeu neste sábado a notícia de que o ônibus da Portuguesa de Desportos foi pichado e incendiado na zona Leste de São Paulo.
O veículo estava parado numa oficina no Catumbi, foi atacado e incendiado.
Na lataria inscrições Timão e SPFC Independente fazendo alusão às torcidas do Corinthians e do São Paulo.
O ônibus era antigo, de 1985, usado para pequenos e médios trajetos e fazia parte da história do clube. Era encarado pela Portuguesa como um patrimônio.
O vice-presidente administrativo da Portuguesa, Mário Sérgio Matteucci, disse à imprensa esportiva, que parte da história do time estava naquele ônibus.
“Tem história, nele já andou Dener, é de 1985. Tinha um valor histórico muito importante para a gente… Esse ônibus é muito importante para nós. Era velhinho, mas sustentava o que a gente precisava” – disse o dirigente.
Por ser um veículo antigo, o ônibus já não tinha mais seguro e o prejuízo foi total.
No entanto, além da história de um clube de futebol, que é considerado a imagem de São Paulo, marcada também pela forte imigração portuguesa, o ônibus guarda um capítulo importante da história dos transportes.
Tratava-se de uma das poucas unidades do modelo Squalo, lançado pela Caio, em 1985.

Na época, a Caio ainda era controlada por José Massa, que fundou a encarroçadora em 19 de dezembro de 1945.
O Squalo, que significa Tubarão em italiano, foi um dos primeiros veículos a quebrar a tendência dos até então ônibus quadradões com janelas pequenas.
Se hoje é possível ver nas ruas e estradas veículos com design moderno, arrojado, pode ter certeza que há um pouco do Squalo na inspiração para estes ônibus.
Dizer que o Squalo foi o primeiro ou o único a inovar nas questões do design e do conforto naquela época pode ser precipitado, mas que ele foi marcante, não tem como negar. Assim como não há como negar que a indústria de ônibus não seria a mesma sem ele.
A tradicional frente em ângulo reto dava lugar a um caimento do teto ao pára-choque dianteiro que conferia um ar de modernidade. Aliás, a frente parecia mesmo um Tubarão, agressivo, imponente.
O Squalo de alumínio era mais leve e mais resistente à corrosão.
Quem o via nas ruas ou estradas, logo pensava se tratar de um ônibus importado, por se tratar de um dos modelos mais arrojados para época.
De tão arrojado, muitas empresas tiveram receio de optar por ele, e as linhas dos outros ônibus voltavam a ser mais discretas, mas a tendência já havia sido lançada e mais tarde seria irreversível.
Nas versões mais luxuosas, a disposição dos bancos, com o cuidado para que a visão dos passageiros não fosse prejudicada pela divisão entre as janelas, era outro detalhe que mostrava que o Squalo foi projetado levando em consideração quase tudo que o transporte necessitava na época.
E neste sábado, dia 07 de julho, um símbolo de duas (ou mais) histórias, de um clube querido e de um avanço no setor de transportes acabou em cinzas pela ação de pessoas que, no mínimo, agiram com a certeza da impunidade.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

http://blogpontodeonibus.wordpress.com/2012/07/08/onibus-da-portuguesa-um-caio-squalo-com-muitas-historias/

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